Ficha Artística e Técnica

Texto

Luis de Sttau Monteiro

Encenação

Hélder Costa

Elenco Actual

Adérito Lopes

Carolina Parreira

João Silvestre

João Maria Pinto

Ruben Garcia

Samuel Moura

Sérgio Moras

Sérgio Moura Afonso

Sónia Barradas

 

Elenco Original

Maria do Céu Guerra

João D’Ávila/ Jorge Gomes Ribeiro

André Nunes

Luis Thomar

Patrícia Adão Marques/ Rita Fernandes

Pedro Borges

Ruben Garcia

Sérgio Moras

Sérgio Moura Afonso

Susana Costa

Figurinos

Maria do Céu Guerra

Adereços

Luís Thomar

Luminotecnia

Fernando Belo

Sonoplastia

Ricardo Santos

Apoio Técnico

Paulo Vargues

Relações Públicas e Produção

Elsa Lourenço

Secretariado

Maria Navarro

Costureira

Inna Siryk

Montagem

Mário Dias

Cartaz

Rita Lello, Elsa Lourenço

Fotografias

Tânia Araújo / MEF Fotografia

Cartaz

Uwe R. Zimmer

 

Estreia no Auditório do Centro Cívico de Manteigas, 3 de Março de 2006

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10º ANO EM CENA!

Mais de 380 Representações - 57 592 ESPECTADORES

Mais de 30 cidades em cena para escolas desde 2007

Felizmente há Luar” é hoje um clássico da literatura dramática portuguesa. Com esta peça e o “Render dos heróis” de José Cardoso Pires dá-se início a uma corrente de teatro narrativo de influência Brechtiana que na segunda metade do século XX veio a ter seguidores em Portugal, entre os quais se contam Romeu Correia, Bernardo Santareno, Fernando Luso Soares, Helder Costa, etc.

A partir da obra de Raul Brandão “Vida e Morte de Gomes Freire” Luis de Sttau Monteiro mostra-nos o reino de Portugal sob o domínio dos ingleses que ocuparam o país no seguimento da vitória sobre as invasões francesas. A ditadura de William Beresford, o “aliado” ocupante, serve a Sttau Monteiro para mostrar os mecanismos de denúncia e traição que os regimes ditatoriais sempre fomentam e assim aproximar aquele período do século XIX da ditadura de Salazar sob a qual viveu. A obra escrita em 1961 aproxima Gomes Freire de Andrade de Humberto Delgado, candidato da oposição a Salazar, que como o primeiro acaba assassinado pelo regime a que se opôs.

A peça faz assim, tal como o teatro fez sempre, uma transposição de tempos. Mostra-se o que se passou para que todos compreendamos melhor o que se passa. Assim fizeram os trágicos gregos indo buscar matéria à Guerra de Tróia e ao ciclo Tebano, assim fez Shakespeare indo estudar as crónicas dos antigos reis, assim fez Kleist, Victor Hugo, assim fez Brecht, Heiner Müller, etc, etc.

No início, a peça mostra-nos o ambiente que precede a revolta que, a triunfar, trará de volta o rei D. João VI a Portugal e promulgará uma monarquia constitucional. Intrigas, denúncias, mas também o povo esperançado a avançar na sua luta. O ritmo é rápido, através do qual são apresentados os vários grupos sociais que estão em jogo e termina com a prisão de Gomes Freire de Andrade. Segue-se o desânimo geral devido à prisão do General. Tal como no tempo de Salazar a polícia actua sobre os civis evitando que a revolta se propague. Matilde, a mulher de Gomes Freire de Andrade, (interpretada no espectáculo por Maria do Céu Guerra) personagem que embora tendo existido realmente, é na peça romantizada e enfatizada pelo autor que lhe confere o papel da corajosa protagonista que tudo arrisca para salvar o “seu herói” com quem partilhou amor, vida e convicções durante muitos anos. O ritmo deste acto é mais lento, mais trágico, mais belo. Tudo caminha para a fatalidade. O herói será sacrificado. No fim só nos resta esperar que o heroísmo do grande patriota dê frutos e exemplo na resistência à tirania. No silêncio o povo avança…

Maria do Céu Guerra

O Intelectual e o seu Tempo

Há peças que marcam uma época. É o caso de “Felizmente há luar!” de Luís de Sttau Monteiro. Foi escrita nos anos de brasa que foram o início dos anos 60 e no rescaldo da burla eleitoral que entronizou o medíocre marinheiro Américo Tomás no posto de Presidente da República roubando ao povo português a sua indiscutível escolha, o general Humberto Delgado.

A peça foi publicada e alcançou grande êxito, aliás previsível, dado o paralelismo entre a perseguição ao general Gomes Freire de Andrade e ao general que tinha entusiasmado o país anunciando que “Obviamente” iria demitir o Presidente do Conselho se fosse eleito.

Claro que a Censura proibiu a sua exibição e o autor passou a sofrer o anátema de ser anti-regime, venerado, atento e obrigado.

A resposta de Sttau Monteiro foi clara e sem equívocos. Não perdeu a arma que era a sua pena e não abrandou a luta nem a coragem.

E, por isso, teve a normal resposta do ditador Salazar: perseguições e prisão.

É bom lembrar a acção exemplar deste género de intelectuais, hoje espécime raro em Portugal e no mundo dito civilizado.

Na linha de Zola, Romain Roland, Stefan Zweig e tantos outros, era um intelectual comprometido com o seu tempo.

Hélder Costa

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