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“AGOSTO” em Junho na BARRACA 18 e 19 de JUNHO às 21h30 | 20 de JUNHO às 16h00
A BARRACA ao montar “Agosto”, cria um espaço/tempo de celebração e memória da emigração portuguesa. É um espectáculo baseado em textos de: Rodrigues Miguéis, Ferreira de Castro, Dias Melo, João de Melo, Olga Gonçalves, Manuela Degerine, etc. Personagens reconhecíveis destes autores cruzam-se numa espécie de rede feita dos mais belos itinerários de emigrantes da nossa ficção. O espectáculo fala das aspirações, dos sacrifícios, das alterações de vida, das frustrações e dos triunfos, dos gostos, daquele grupo social que tanta riqueza económica trouxe ao nosso país. Da irrisão à emoção, actores e público vão viajando de camioneta, de barco, de comboio e até num pau-de-arara sertanejo, experimentando sentimentos que certamente vão ajudar a conhecer melhor aquela gente que continua a ser os “outros” portugueses. Falar desses “outros” portugueses era, desde há muito, projecto da Barraca. Dos que mal conhecemos. Dos que foram, a salto, no escuro. Dos que não aqueceram o lugar porque ele não estava lá. Dos de quem se fala pouco e sempre pelas mesmas razões. Dos que voltam, aos bandos, em Agosto e ás vezes morrem, de euforia, na estrada. Dos que sonharam anos a fio com um Agosto que não chegou a acontecer. Dos que vêm casar à terra num Agosto de mel. Agosto mais espaço do que tempo. Agosto lugar de reencontro. Reencontro da casa, ponto de partida, que a certa altura, se quis esquecer e ficou pregada na memória. E da casa ponto de chegada, parecida com a do vizinho de “lá”. Recente orgulho. Merecida afirmação que a pouco e pouco, foi alterando a paisagem de cá. Falar. Mas de que experiência? De que viagem? De que época? Se os portugueses, “ilhéus”, espartilhados entre o Atlântico e a Espanha, com quem tradicionalmente se deram mal, dependurados em Sagres, ou a espreitar os aviões no aeroporto de São Miguel, querem sempre partir e sempre o fizeram, de uma maneira ou de outra. Lá fomos, enganados, de camioneta com Olga Gonçalves e com ela rumámos de comboio para a Alemanha; fomos à guerra com João de Melo; fomos para a América com um clandestino a bordo, pela mão de Rodrigues Miguéis e com ele embarcamos num sonho americano; fomos à baleia com Dias de Melo à boleia de Melville; entrámos numa história negra com Manuela Degerine, num pesadelo xenófobo falado em francês. Por fim regalámo-nos a contrariar a “tragédia” da emigração com o texto mais engraçado do espectáculo. De como falar nunca tive dúvidas. Em primeiro lugar queria fazê-lo a várias vozes. Escolher histórias boas, que para mim são histórias onde há poesia, crueldade, verdade e contradição. Depois, olhar para elas com o meu olhar. O meu, aquele onde se caldeia o que sou com o que vi, aquele que não é de mais ninguém e isso basta para ser original. Depois deixá-lo enriquecer com os olhos dos meus parceiros da BARRACA que tanto de seu inscreveram neste espectáculo. Destacando aqui o Sérgio Moras a quem este Agosto é dedicado pela sua identificação com esta gente e com esta obra. E agora que a roda da história fez de nós um país de imigrantes, com e sem papéis, é bom recordarmos estas “ficções” que nos farão certamente mais solidários e universalistas. Maria do Céu Guerra Espectáculo vencedor na categoria de Melhor Adaptação, Prémio Guia dos Teatros 2007
DIGRESSÃO Dia 30 de Agosto de 2008, no Centro de Artes de Sines pelas 22h00 GUIÃO DO ESPECTÁCULO 1 – Eis uma história – Olga Gonçalves 2 – Todos mortos todos vivos – João de Melo 3 – A ilha escorraça a gente – Dias de Melo 4 – O Natal do clandestino – José Rodrigues Migueis 5 – O Cosme de Ribadouro – José Rodrigues Migueis 6 – Terra da América (cartas) - Dias de Melo 7 – A História de Manuel da Bouça - Ferreira de Castro 8 – No Comboio para o Mundo – Olga Gonçalves 9 – O Português em França – Manuela Degerine 10 – Agosto/ As férias – Olga Gonçalves 11 – Agosto/ O Reencontro – Ferreira de Castro 12 – Agosto/ O Casamento – Dias de Melo
Estreou a 21 de Setembro de 2007 Dramaturgia, Encenação e Espaço Cénico: Maria do Céu Guerra Elenco: Rita Fernandes – Noiva, Maria, Emigrante para o Brasil, Brasileira do Sertão, Espanhola, Alice Susana Costa – Mulher de Trás-os-montes, Deolinda, Miúda Açoreana, Saltimbanca, Mulher da pensão, Benvinda, Algarvia, Srª Frioul ELES: Pedro Borges – Foitinho, Baleeiro, Albano Passarinho, Manuel da Bouça, Algarvio, Aluno português em França Rui Sá – Lúcio, Passador, Tony, Barqueiro, Saltimbanco, Trabalhador de S. Paulo, Capristano, Enfermeiro, Comissário Gallo Sérgio Moras – Aníbal, João Peixe-Rei, Cosme de Ribadouro, Português de Vilarinho de Castanheira Carrazeda de Ansiães, Pita, Jean Rondonilland, Aluno português em França Sérgio Moura Afonso – Lambadas, Militar da guerra colonial, Polícia Americano, Barqueiro, Pai de Marroco, Saltimbanco, Funcionário, Coronel, Manel Alentejano Tiago Cadete – Cuco, Militar da guerra colonial, Baleeiro, Moço de bordo, Cosme em Miúdo, Saltimbanco, Cipriano do Lourdelo, Aluno português em França, Mena Voz de GNR no 1º episódio – Hélder Costa Luminotecnia: Fernando Belo Relações Públicas e Produção: Elsa Lourenço Bilhetes Estrutura financiada por: Apoios: |